Rudesindo Soutelo
Compositor - Composer - Komponist
Rudesindo Soutelo - Contraponto
Catálogo de obras de Rudesindo Soutelo

Partituras editadas por Arte Tripharia no Corpus Musicum Gallaeciae

Für Marianne Käch
23(23/8)8. (1984) [1'48"]
    Violino + Fagote. (ExMUS PDF)
   Première: 24-IV-2009. Auditório do Centro Galego da Arte Contemporánea, Compostela. Int.: Grupo Dhamar (David Santacecilia, Violino; Krasimir Georgiev Popov, Fagote)

Obra organizada a partir da sequência abstracta dos números que intitulam a peça. 9 e 7 são os números onomásticos do autor, e 8 e 4 os da pessoa a quem foi dedicada a obra. Sobrepondo ambos números dá os compassos 9/8 e 7/4 que sumam um total de 23 colcheias, que eram os anos que fazia a destinatária e os 8 bissextos do autor. Essa sequência de 23/8 repete-se 23 vezes e o projecto abrangia 8 andamentos, como indica a última cifra do título, mas que o pouco interesse mostrado pela pessoa homenageada ao receber o primeiro como prenda de anos, desencorajou a composição dos sete restantes.

A sequência de 9, 7, 8, 4 conforma um complexo que organiza os intervalos melódicos e harmónicos.


Für Bernhard und Hanni Spiess
A cavalo. Zu Pferd. (1981) [3' 05"]
    Fagote / Bassoon + Cravo / Harpsichord. (ExMUS PDF)
   Première: 24-IV-2009. Centro Galego de Arte Contemporánea. Santiago de Compostela. Int.: Grupo Dhamar.


A Alva Vidal Capom
Alva. 4 peças na primeira posição. 4 pieces in the first position (2006) [15']
    Violino solo. (ExMUS PDF)
    Andamentos / Movements:
       1. (A)  Alvorejar (MIDI)
       2. (l)  Leitura (MIDI)
       3. (v)  Vagar (MIDI)
       4. (a)  Apoteose (MIDI)
   Première: 29-IV-2011. CCF Auditorium, Bandung (Indonesia). Int.: Eya Grimonia (vn)

Esta obra foi prenda de anos a uma menina de 11 anos que nasceu no dia 11 do mês 11, e está construída sobre os seus números onomásticos 4+5+5 (Alva=4, Vidal=5, Capom=5) que geram a base harmónica e melódica em conjunto com 9+7 (Rudesindo=9, Soutelo=7), mais 6+5+7 de sua mãe e 5+5+5 do seu irmão André. Assim, "Alvorejar" está estruturada em 11 secções (é prenda dos 11 anos) de 4+5+5 compassos. "Leitura" tem 9 (Rudesindo) secções de 4 (Alva) compassos e a sequência melódico-harmónica está conformada por 4 (Alva)+ 5 (André) + 6 (Sílvia) + 7 (Soutelo) + 9 (Rudesindo), e assim todos nos vemos envolvidos na trama leitora. A terceira peça, "Vagar", em compasso quinário de 5 (André) quartos (Alva), tem 3 secções de 5+5+5 compassos, os do irmão a dar voltas sem fim enquanto a menina pensa nas voltas que dá o mundo. A  "Apoteose" final, no ritmo de 9+7 oitavos,tem duas partes: na primeira, há 3 secções de 6+5+7 (a mãe) abrindo o caminho às 3 secções da segunda parte que representam a efervescência na alva da vida (4+5+5).

A música é a expressão mais formosa da matemática, a linguagem das emoções mais íntimas, a essência da nossa própria existência. Até as coisas mais simples precisam duma sólida estrutura interna que sustente o seu discurso e o transcenda.


A André Vidal Capom
André. 5 peças fáceis. 5 easy pieces. (2006). [14' 30"]
    Piano. (ExMUS PDF)
    Andamentos / Movements:
       1. (A)  Prelúdio da manhã (MIDI)
       2. (n)  Alvorecer na janela (MIDI)
       3. (d)  Valsa dos soldadinhos de chumbo (MIDI)
       4. (r)  A Catedral imergente (MIDI)
       5. (é)  Marcha da formiga atónita (MIDI)
  Première: 3-X-2006. Vº Colóquio da Lusofonia.Auditório Municipal, Bragança. Int.: Yerko Ivánovic-Barbeito.
A "Valsa dos soldadinhos de chumbo" foi peça obrigada na classe C do 5º Concurso de Piano do Alto MInho (Vila Praia de Âncora), 2008, correspondendo o Prémio de melhor interpretação a Frederico R. Rodrigues Silva.

Esta obra foi composta como prenda de anos para André, uma criança de 8 anos muito inquieta e impulsiva, mas com grande capacidade emocional e reflexões originais. Assim, o "Prelúdio da manhã" é o acordar buliçoso; o "Alvorecer na janela" é a luz do novo dia a esclarecer o espírito. A imaginação criativa manifesta-se na "Valsa dos soldadinhos de chumbo" que transformam as espingardas em pares com quem dançar.

Desde a colina onde mora, o menino contempla a cidade de Tui coroada pela outrora fortaleza espiritual e agora diluída no criminoso urbanismo circundante que representa o seu inexorável declínio, e os sinos da Cathedral Engloutie de Debussy ecoam em "A Catedral imergente". A "Marcha da formiga atónita" são as peripécias duma formiga que se desvia do carreiro e encontra André, uma criança brincalhona que gosta de lhe pôr tantos obstáculos no caminho que ela fica atónita; no entanto, ela não desiste do seu empenho, respira fundo,  e finalmente consegue libertar-se.


A Aurora Cezón
Arela. Sehnsucht. (1982). [3' 50"]
    Violeta / Viola + Violoncelo / Cello + Contrabaixo / Double Bass. (ExMUS PDF)
    Première: 24-IV-2009. Centro Galego de Arte Contemporánea, Santiago de Compostela. Int.: Grupo Dhamar.

O título desta obra, Arela, que no português da Galiza significa 'anelo', está organizada a partir de uma escala para-tonal -além, acima ou à volta da tonalidade- que gera uma inquietação, ânsia ou anelo que só se acalma no final em forma de Coral. Aí é que podemos aplicar as palavras de Hans Küng "onde a música combina a sua energia com a da religião num mesmo sentido e face a uma mesma meta".


A Raimundo García Domínguez
Borobó. (1999)
2 Gaitas de Fole Sib. (ExMUS.PDF)
  Première: 10-VI-2005. Auditório, Conservatório Superior de M´suica (Vigo). Int. José Luis Miguélez - Sabela Olivares.

Raimundo García Domínguez «Borobó» (*Pontecesures-Galiza, 10-VI-1916; +Compostela, 28-VIII-2003) foi uma das figuras fundamentais do jornalismo galego do século XX.


A Diego Fernández Magdaleno
Brêtema de Dom Quixote. (2005) [15' 40"]
    Piano. (ExMUS.PDF)

Cerbantes -assim assinava ele, talvez para distanciar-se dos topónimos que delatavam a sua origem conversa- foi um habilidoso judeu que soube subverter o récio e árido pensamento castelhano introduzindo no discurso intelectual "a razão da senrazão que à minha razão se faz, de tal maneira a minha razão enfraquece, que com razão me queixo"(I,i). O filósofo navarro Juan David García Bacca (1901-1992) nos exercícios literário-filosóficos Sobre o Quixote e Dom Quixote da Mancha incita a um enfoque novo na leitura do Quixote e explica esse tipo de "razão da senrazão" com a palavra "raciocinância" empregada como categorial.

Todos consideram que Dom Quixote padece de toleima e riem-se a cachão das suas desventuras. Mas poucos aprofundam a cordura do seu ataque aos moinhos de vento que, procedentes da Holanda, colonizaram a paisagem castelhana como acontece agora na Galiza com esses espigados giraventos que destroem a paisagem de todos para engrossar o negócio de uns poucos que controlam a distribuição da energia que mantém a sociedade escravizada.

Seria preciso introduzir um novo categorial para a palavra "rocinância" que explicasse o esquema mental dos jumentos bípedos que abafam intelectualmente este país. Brêtema de Dom Quixote reflecte sobre a leitura ôntica que propõe García Bacca; uma homenagem quixotesca a Cervantes para me curar do quixotismo economicamente improdutivo da emotividade criativa.

No IIº Congresso Internacional  Cervantes y el Quijote en la Música del Siglo XX, celebrado em Novembro do ano 2009 na Universidade Autónoma de Madrid, Carlos Villar-Taboada apresentou uma Comunicação intitulada
Lo literario, lo lúdico y lo crítico: Estrategias compositivas e implicaciones semióticas en Brêtema de Dom Quixote (2005), de Soutelo,
onde diz: "la analogia supone  un juego, una reinterpretación de significados, que el músico pone ante el oyente para invitarle a participar
en él, demandando  asi una audición  activa, capaz no sólo de escuchar, sino también  de implicarse  con la perspectiva  deI compositor  para  ser capaz de apreciar las correspondencias  que él propone, que no son inmediatas y que
se van revelando  sucesivamente si se acepta como regIa el modo discursivo deI Caballero de la Triste Figura, tomando a don Quijote como clave que da acceso a los significados allende lo evidente."
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Carlos Villar-Taboada: Lo literario, lo lúdico y lo crítico: estrategias compositivas e implicaciones semióticas en Brêtema de dom Quixote (2005), de Soutelo in B. Lolo (2010): Visiones del Quijote en la música del siglo XX. Madrid, Centro de Estudios Cervantinos. (ISBN: 978-84-96408-79-1).


A María Italiani.
Como a noite é longa.As the night is long. Homenagem a Fernando Pessoa. Homage to Fernando Pessoa. (1999) [ca. 35']
    Flauta-Oboé-Clarinete / Flute-Oboe-Clarinet
    Andamentos / Movements:
       1.   Era uma princesa que amou
       2.   Não é bastante não ser cego
       3.   Tudo vale a pena se a alma não é pequena
       4.   Nasce um Deus, outros morrem.
       5.   A maravilhosa beleza das corrupções políticas
       6.   Prefiro rosas, meu amor, à pátria.
       7.   Merda! sou lúcido.
  Première: 20-IX-2002. Centro Torrente Ballester, Ferrol. Int.: Grupo Instrumental Século XX.


À Academia Galega da Língua Portuguesa
Deu-la-deu. Suite para Guitarra. Suite for Guitar (2008) [20']
(ExMUS PDF)
     Andamentos / Movements:
        1. Assédio à fortaleza
        2. A fome impinge à rendição
        3. Oferta de pães ao inimigo
        4. Desistência do cerco
        5. Triunfo incruento da estratégia
   Première: 6-X-2008. Sessão Inaugural da AGLP; Centro Galego da Arte Contemporânea, Compostela. Int.: Isabel Rei.

No século XIV, Enrique II de Castela estava em guerra com Fernando I de Portugal. Pedro I de Castela, primo do seu homónimo Pedro I de Portugal, fora assassinado pelo seu irmão bastardo e sucessor Enrique de Trastâmara. Dom Fernando I de Portugal, como último descendente da dinastia galaico-burgundia, reclamou-se herdeiro do trono de Castela, e foi coroado na Corunha como Rei da Galiza em 1369. Em 1371, quando os soldados de Enrique II se dirigiam para Galiza a fim de travar batalha, Dom Fernando evitou a confrontação regressando por mar para Portugal.

Desde que o Reino da Galiza fora submetido ao de Leão, uma nobreza castelhana estava substituindo a aristocracia galega a pouco e pouco e na altura, junto com os soldados enviados por Enrique II comandados pelo Adiantado-mor da Galiza Pedro Ruiz [Rodríguez] Sarmiento, atacaram Portugal.

Assediaram longamente a fortaleza de Monção, estando próximos de conseguir a sua rendição pela muita fome que o cerco infligiu ao povo lá refugiado. Aproveitaram uma ausência do capitão-mor, Vasco Gomes de Abreu, para sitiar a praça forte, mas a sua mulher assumindo o comando da defesa e, mesmo carecendo de meios para romper o cerco, num acto de astúcia juntou a pouca farinha que restava na fortaleza e mandou cozer os últimos pães. Com eles ainda quentinhos subiu à muralha e atirou-os aos sitiantes, gritando-lhes que como abundavam as provisões na cidade e dada a duração do cerco, o inimigo poderia precisar de alimento.

A argúcia resultou pois os castelhanos, psicologicamente abatidos pelo prolongado assédio sem conseguir diminuir o que parecia uma abundância inesgotável, levantaram o cerco e foram embora. Desde então, aquela mulher singular e corajosa é celebrada com o nome de Deu-la-deu Martins, e assim consta no seu túmulo situado numa capela da Igreja Matriz de Monção.

A fortaleza da língua e cultura galegas foi sitiada durante séculos. A fome levou alguns à rendição. Surge uma nova Deu-la-deu, a Academia Galega da Língua Portuguesa, a oferecer pães ao inimigo do alto das muralhas. Será que o inimigo desiste? Ecoa o Hino da Guerra contra o invasor francês, quando portugueses e galegos lutavam no mesmo bando -lembremos que o acontecimento que desencadeia a primeira insurreição declarada contra Napoleão em Portugal ocorre na tarde do dia 6 de Junho de 1808, quando o general Domingos Belestá, no comando das tropas galegas, prende no Porto, por ordem da Junta Revolucionária da Galiza, o general francês Quesnel, corregedor-mor nomeado por Junot- e, após um diálogo reintegrador, os povos abraçam-se na língua comum do aquém e além Minho.


Für Claudia Bocklett
Feitiço. Bezauberung. (1984) [ca. 2' 26"]
    Violino / Violin + Violeta / Viola + Violoncelo / Cello. (ExMUS PDF)
   Première: 24-IV-2009. Auditório do Centro Galego da Arte Contemporánea, Santiago de Compostela. Int.: Grupo Dhamar.

Feitiço é um trio para violino, violeta e violoncelo construído sobre quatro notas, as quatro notas mais emblemáticas da história da música ocidental, as notas que conformam o nome de BACH (Sib, Lá, Dó, Si). Essas quatro notas elaboradas rigorosamente numa textura contrapontística de tensão crescente suscitam uma emoção que nos abre a uma perceção diferente. O feitiço pode ser Bach mas o ouvinte não tem porque conhecer o material sonoro utilizado. O feitiço é um estado emocional abstrato que cada ouvinte vivencia de um modo diferenciado.
 

A Elena Sánchez Cezón
Helen. 5 peças breves em posição fixa. 5 short pieces in five-finger pattern (1992) [ca. 5']
    Piano.
    Andamentos / Movements:
       1.   H
       2.   E
       3.   L
       4.   E1
       5.   N
  Première: 16-V-2005. Ateneo de Madrid. Int.: Yerko P. Ivánovic-Barbeito.
"H" e "N" foram peças obrigadas na classe A e B do 5º Concurso de Piano do Alto MInho (Vila Praia de Âncora), 2008, correspondendo o Prémio de melhor interpretação na classe A a Maria Joana Brites Dias, e na classe B a Mariana Pais Cunha.
 


Á memória da actriz Cruz Comesanha
Lábios de sabor a mar. Derradeira epístola (1998). (7' 23") Texto: Rudesindo Soutelo
-Orig.: Coro mixto a Cappella
-Ver.: Quinteto de Metais. Brass Quintet.
  Première: 26-V-2006. Concerto da Liberdade. Teatro Jofre, Ferrol. Int.: Grupo de Metais Santa Cecília.
-Ver.: Voz e Piano.


A Manuel María Fernández Teijeiro
Manuel Maria. (2000).
2 Gaitas de Fole, Dó e Sib / 2 Bagpipes, C and Bb.(ExMus PDF)

Manuel María Fernández Teijeiro «Manuel María» (*Outeiro de Rei-Galiza, 1930; +Corunha, 8-IX-2004) é um símbolo da cultura galega, pela qualidade e magnitude da sua produção poética.


A José Luís García Amador
Minho azul.Um passeio no Cabo Fradera (2008). [14' 10"]
Banda Sinfónica / Concert Band.(ExMus PDF)
  Première: 20-IV-2009. Teatro Municipal, Tui. Int.: Banda de Música da Escola Naval de Marim. Dir.: Francisco García Hurtado.

Esta obra é um passeio pelo Minho azul, elo de união cultural, e tal como na minha infância, apanhei virtualmente o Cabo Fradera, barco patrulheiro ícone do Minho navegável, e devagarinho derivei suave e silenciosamente rio abaixo. De ambos os lados chegavam sons que cuidadosamente fui enfiando no papel pautado, como se fossem missangas dum colar, até as margens confluírem numa percepção "hinótica". O passeio sonoro está dedicado a José Luis García Amador, Comandante Naval do Minho e apreciador de música erudita. (Extraído do artigo Minho azul)


A Gaspar Lima
O anel de Giges. The ring of Gyges. (2011). [17' 20"]
Clarinete solo / Solo Clarinet (ExMUS.PDF)
     Andamentos / Movements:
       1. Poder invisível
       2. Reflexão ética
       3. Diabólico

Baseada no mito grego.


Encomenda da D.R. Cultura do Norte do Ministério da Cultura de Portugal para o centenário de Miguel Torga
O corvo da liberdade. A vontade que desafiou Deus (Homenagem a Miguel Torga). The crow of the freedom. The will that challenged to God (Homage to Miguel Torga) (2007). (10')
Quinteto de Sopros / Wind Quintet. (ExMus PDF)
  Première: 5-V-2007. "Torga-Retratos e Paisagens". Teatro Municipal, Vila Real. Int.: Camerata Senza Misura.
Gravação na Antena 2 da RDP.
DVD: A terra antes do céu, documentário de João Botelho.
CD: Torga, retratos e paisagens. Camerata Senza misura. Numérica Multimedia num. 1162

Esta obra foi encomendada pela D.R. Cultura do Norte do Ministério de Cultura de Portugal para os actos comemorativos do centenário do nascimento de Miguel Torga que se celebrou nos seguintes lugares e datas de 2007:
5 de Maio | 22h
Teatro de Vila Real
12 de Julho | 19h30
Casa da Música - Porto
28 de Julho | 21h30 
Teatro da Cerca de S. Bernardo - Coimbra
1 de Setembro | 21h30
Auditório do Centro de Animação do Gerês - Caldas do Gerês
6 de Setembro | 21h30
Auditório da Biblioteca Municipal - Barcelos
8 de Setembro | 21h30
Paço dos duques - Guimarães
22 de Setembro | 21h30
Teatro Municipal - Bragança
29 de Setembro | 21h00
Teatro Principal - Santiago de Compostela
3 de Outubro | 21h30
Teatro Principal . Zamora

E também
15 de Março de 2008 | 21h30
Centro Cultural - Vila Praia de Âncora

João Botelho realizou um documentário dos ensaios do espectáculo que intitulou "A terra antes do céu" e foi apresentado nas seguintes datas e lugares:
Ante-estreia: 12 de Outubro | 22h
Teatro de Vila Real
19 de Outubro | 21h - DocLisboa 2007
Festival Internacional de Cinema Documental de Lisboa.
Cinema Londres - Lisboa
Estreia: 14 de Dezembro | 22h
Teatro de Vila Real

A obra está estruturada com base nos números 6 (Miguel) e 5 (Torga). Está escrita para cinco instrumentos e tem seis secções.
1.- A leva dos escolhidos entra na Arca.
2.- Por 40 dias recebera das mãos servis de Noé a ração quotidiana.
3.- Superara o instinto da própria conservação e de peito aberto fugiu em protesto activo contra o arbítrio que dividia os seres em eleitos e condenados.
4.- A voz de Deus ribombou pelo céu imenso, numa severidade tonitruante. Numa minúscula ilha de solidez, no meio dum abismo movediço, impávido, negro, sereno, permanecia o corvo.
5.- A morte temia a morte. Ou o Senhor preservava a grandeza do instante genesíaco, ou o seu aniquilamento invalidava essa hora suprema.
6.- Nada podia contra aquela vontade inabalável de ser livre. Para salvar a sua própria obra, Deus fecha, melancolicamente, as comportas do céu.

Essas secções, inspiradas no último conto de "Bichos", sintetizam a minha particular visão da biografia de Miguel Torga pois tem um certo paralelismo com a sua criatura "Vicente" que, na defesa da sua liberdade, desafiou Deus.

E para quem não acredite na sapiência do corvo veja lá este documento.


A Ludovica Mosca
Oestrymnia. (1975) [1' 20"]
    Piano (YouTube)
  Première: 8-IV-1986. Círculo de Bellas Artes (Sala Goya), Madrid. Int.: Sebastián Mariné.
Gravação em Rádio Clássica de RNE


A Juventudes Musicais de Vigo e a todas as vítimas do Marcotráfico.

Oppius dei. Quadros duma mafia musical espanhola. Pictures of a spanish musical mafia. (1997) [ca. 45']
    Piano
    Andamentos / Movements:
       1.   Introitus
       2.   Magnus benefactor (Grande benfeitor)
       3.   Servum pecus (Rebanho servil)
       4.   Gloria tibi, Marco (Glória a ti, Marco)
       5.   Credo quia absurdum (Creio ainda que seja absurdo)
       6.   Garrulus musicus (Músico linguareiro) (MIDI)
       7.   Parasitus musicologus (Musicólogo parasita)
       8.   Mansuetus criticus (Crítico amansado)
       9.   Serva me, servabo te (Serve-me e servir-te-ei)
       10. In musica corruptus imperat (Impera a corrupção na música)
       11. Ab amico reconciliato cave (Acautela-te do amigo reconciliado)
       12. B.A.E.Q.V. [Bene aeternunque vale] (Passa-o bem e adeus para sempre)
  Première: 24-X-2001. Museu de Belas Artes, Corunha. Int.: Gabriel López Rodríguez.

Oppius dei é uma obra destinada aos músicos jovens, porque, até mesmo os mais avisados, podem ser vítimas dum novo Marcotráfico. Cunhei este termo em 1990 para uma secção da revista Da Capo II (Madrid). Naquela revista denunciávamos corrupções do mundo musical começando por Tomás Marco, cuja administração peculiar do erário público sempre beneficiou o seu próprio opus sobre todas as coisas. Não era o único caso mas sim um dos mais interessantes, pelo menos desde o ponto de vista sociológico, da corrupção musical espanhola do final do século passado. O termo Marcotráfico fez fortuna e logo foi sinónimo da corrupção impune que monopoliza mais poder em cada mudança política.

Mas nada mudou depois daquela publicação, e o Gloria tibi, Marco (Gloria para você, Marco) foi crescendo proporcionalmente ao seu poder, como um Magnus benefactor (Grande benfeitor) rodeado do seu Servum Pecus (Rebanho servil). O Mansuetus criticus (Crítico amansado), o Parasitus musicologus (Musicólogo parasita) e o Garrulus musicus (Músico linguareiro) não duvidaram para tirar lucro do Serva me, servabo te (Você me apóia e eu o apoiarei). E enquanto In musica corruptus imperat (Na música impera a corrupção), eles entoam, sem sequer ruborizar-se, o Credo quia absurdum (Creio porque é absurdo) para ser merecedores da divina seita do Oppius dei. Um conselho para os jovens: Ab amico reconciliato cave (Acautela-te do amigo reconciliado). E para o Marcotráfico esta estela funerária: B.A.E.Q.V. -Bene aeternunque vale- (Passa-o bem e adeus para sempre).


Prelúdio da Montanha Mágica. Homenagem a Thomas Mann. (1996) [6' 45"]
    Piano. (ExMus PDF)
  Première: 19-IX-2004. Museu de Belas Artes, Corunha. Int.: Genaro Fernández.


Xosé María Álvarez Blázquez in memoriam
Quod nihil scitur. Homenagem a Francisco Sanchez 'o céptico'. Homage to Francisco Sanchez 'the sceptic'. (2003). [32']
    Órgão / Organ. (ExMus PDF)
    Andamentos / Movements:
       1. Natus in civitate Tudensi, diocesis Braccharensis (MIDI)
       2. Meditatio mortis (MIDI)
       3. Examen rerum (Postludium) (MIDI)
  Première: 13-X-2006. Catedral de Tui. Int.: Raul Prieto Ramírez.

O organista Bruno Forst escreveu nas notas ao programa da estreia de Quod nihil scitur: "Toma o título da principal obra do filósofo Francisco Sanchez, considerado como um dos pioneiros da filosofia cartesiana. Nascido, como o compositor, "in civitate Tudensi, diócesis Braccharensis", exilou-se na França, provavelmente pelos seus ascendentes judeus. Diplomou-se e viveu toda sua vida na França, exercendo como catedrático na universidade de Toulouse. Filósofo céptico. Ainda que seja considerado um autor menor, a sua obra continua a ser estudada.

Como render homenagem musical a um filósofo? Aplicando o seu método de conhecimento à linguagem musical, e isso é o que faz Rudesindo Soutelo, no seu idioma sempre subtil e não isento de ironia (arma de filósofo). O cepticismo, consideração sistemática e dubitativa de todas as proposições, expressa-se no Quod nihil scitur musical como um sério exame dos elementos fundamentais da nossa música: tons e semitons. Nascido na Galiza, numa diocese lusa, filósofo ibérico exilado na França... serão estas aparentes contradições as que geram um jogo de contrastes sonoros?

Após uma sombria chamada de pedal de 7 notas (primeira aparição do número 7 na obra) respondem umas frases polifónicas cada vez mais longas. O diálogo emerge pouco a pouco, contrapondo a monodia e a polifonia, a verticalidade imóvel, quase coral, e o fugato adornado, contrastando gravidade e alegria, simplicidade e construção rigorosa, antes de resolver-se na luminosidade dum primeiro acorde maior.

Reaparece o 7, desta vez como fundamento rítmico duma calma e poética "Meditatio mortis". Lamento cromático, obsessivo -lembrança da Passacaglia?-, esta fórmula rítmica sustenta todo um edifício extremamente refinado na sua aparente singeleza. Nesta névoa (galega) aparecem uns fantasmas quase amorfos -a série de 7 notas que abria o primeiro andamento- uns cromatismos retorcidos (um tom descendente seguido de um semitom ascendente, antecipação dum elemento do terceiro andamento) -em aumentação- e um Dies Irae, reconstruído e irónico, utilizado já por Rudesindo Soutelo no Parasitus musicologus de Oppius dei (1997) e no Prelúdio da Montanha Mágica, homenagem a Th. Mann (1999). As obstinadas 7 notas perdem-se no nada, tudo se apaga retornando ao começo, à obscuridade e ao silêncio.

O "Examen rerum" recolhe a velha tradição organística da toccata 'en fileuse', como dizem os franceses. Exame sério, muito sério. Considera todas as combinações possíveis do floreado, resume o ambiente fortemente cromático de toda a obra e progride de forma implacável, cara um inapelável acorde de Dó Maior."

Pela sua parte o autor escrevia no programa o seguinte: "Quando os Amigos da Catedral de Tui em 1999 me fizeram a encomenda duma obra para o Órgão da Catedral imediatamente pensei que tinha de ser uma obra in memoriam X.M. Álvarez Blázquez, um tudense prudente, douto, erudito e de imenso humanismo que, ainda que pouca relação tenha tido com ele, admirava-o como editor e pelo seu empenho divulgador da cultura galega. A colecção de livros de bolso 'O moucho' é para mim uma das melhores ideias editoriais desenvolvidas naquele tempo obscuro.

Procurei nos referentes culturais de Xosé María algo com que honrar dignamente a sua memória e encontrei outro tudense, que tem em comum com Álvarez Blázquez, a dedicação da sua vida à cultura criativa -poética, filosófica, divulgativa- assim como padecer da intolerância político-religiosa. Xosé María foi desterrado e seu pai, médico como o pai de Sanchez, fuzilado na traseira da Igreja de São Domingos de Tui. Francisco Sanchez, por ser de família judia, aos poucos meses de nascer, em 1550, começou uma vida de contínuo exílio fugindo da inquisição. Em 1551 foi baptizado em Braga e daí surge a polémica da nacionalidade deste ilustre francês, já que aos doze anos saiu da península para estudar em Bordéus, não mais voltando a pisar as intolerantes hispânias, morrendo em Toulouse no ano 1623.

A dúvida metódica de Francisco Sanchez foi a ferramenta revolucionária, aperfeiçoada depois por Des-Cartes no Discurso do método, que abriu caminho ao desenvolvimento do pensamento europeu moderno. Este espírito criativo e transcendental é o que eu quis salientar de Álvarez Blázquez, em paralelo com Sanchez.
A obra, de meia hora de duração, é o resultado de quatro anos de elaboração e tem três andamentos: I-Natus in civitate Tudensi, diocesis Bracharensis, que expressa a polémica mas também o primeiro exilio; II-Meditatio mortis, que exprime a transcendência; III-Examen rerum, que traduz o fundamento cientista.

Como compositor e também por ter nascido em Tui, espero ter honrado dignamente a memória de Xosé María Álvarez Blázquez. Resulta curioso que os misteriosos atrasos na estreia desta obra a levassem a ser apresentada precisamente neste 'Ano da Memória'. Faço pois extensivo este 'in memoriam' a todos os retaliados pelas hordas fascistas de Tui, cidade que ainda hoje prolonga essa infâmia com uma rua dedicada ao criminalíssimo ditador."  (Alguns dias depois, as autoridades locais, que durante anos mantiveram e defenderam a simbologia da cruel e assassina ditadura, decidiram mudar o nome à rua).

A Anita Spiess
Retrato duma moça na conversa.Porträt eines Mädchens im Gespräch. (1981) [ca. 45"]
    Piano (YouTube)
  Première: 8-IV-1986. Círculo de Bellas Artes (Sala Goya), Madrid. Int.: Sebastián Mariné.
  Gravação em Rádio Clássica de RNE

A Sara e Raquel Areal-Martínez
Saraquel. Três quadros para 2 violinos na 1ª posição. Three pictures for 2 violins in the first position. (2007) [ca. 16"]
    Duo de violinos. (ExMUS PDF)
    Andamentos / Movements:
       1.   Clarobscuro
       2.   Natureza interior
       3.   Luminiscência
  Première: 15-III-2008. Festival de Primavera do Alto Minho. Auditório do Centro Cultural de Vila Praia de Âncora, Portugal. Int.: Sergei Arutjunian e Larissa Shomina..

Esta obra é uma prenda para duas irmãs de 11 e 8 anos que estudam violino, daí que seja na 1ª posição. A estrutura harmónica e rítmica está baseada nos números onomásticos das meninas (4-5-8 e  6-5-8) e também nos números de nascimento (3-4-6 e 5-8-9) junto com 9-7 do autor e 11-8 das idades. Tudo isto é para sustentar a arquitectura emocional duma obra de concerto.


Tálamo e túmulo. (Homenagem a R. Carvalho Calero). Thalamus and tumulus (Homage to R. Carvalho Calero) (2000). [34']
    Orquestra de Cordas / String Orchestra.
    Andamentos / Movements:
       1. Mulher de doce sal e neve mole
       2. Aquí me tés, querida, esperando a Godot
       3. Ainda que vivim pouco, muito sonhei

Esta obra foi encomendada pelo Concelho do Ferrol como homenagem ao polígrafo Ricardo Carvalho Calero, chegando-se a anunciar na imprensa a sua estreia, em Dezembro do ano 2000. Uma mudança política frustrou o programa e até hoje não se receberam desculpas nem compensações. A encomenda não foi paga.


A Loreto Sánchez
Teima. (1983) [4' 08"]
    Piano. (ExMUS PDF) (YouTube)
  Première: 8-IV-1986. Círculo de Bellas Artes (Sala Goya), Madrid. Int.: Sebastián Mariné.
Gravação em Rádio Clássica de RNE

Tema e 12 variações. A insistência ou porfia dum tema na forma de variações transforma-se numa obstinada teima.

Triando.(1971).
    Violin - Violeta / Viola - Guitarra / Guitar.
    Première: 24-IV-2009. Centro Galego de Arte Contemporánea, Santiago de Compostela. Int.: Grupo Dhamar.


A Ana Raquel Morais Alves e Ana Maria Couto Campos
Violetas p'ra 2. Violets for 2. (2012). [21' 15"]
    2 Violetas / 2 Violas. (ExMUS PDF)

    Andamentos / Movements:
      1. (A)mazonas
      2. (N)eo-consciência
      3. (A)rte

Violetas p'ra 2. O 2 pode ler-se no masculino (dois) ou no feminino (duas).

A obra foi uma encomenda das violetistas Ana Alves e Ana Campos. Daí que tenha 3 andamentos (as três letras do nome) e com a primeira letra do título de cada andamento forma-se o nome A N A.

O mistério ou magia da música reside na pura abstração do seu conteúdo. Daí que cada ouvinte pode pôr nela a sua própria ‘estória’, o seu próprio enigma que o identifique. Quantas mais 'estórias' suporta uma música, mais nos encoraja para descobrir o seu mistério.

Uma das múltiplas 'estórias' ou leituras subjetivas para esta obra poderia identificar duas personagens (Amazonas = mulheres guerreiras, mas neste contexto também poderiam ser anjos guerreiros) que se aproximam cautelosamente, lutam ou brincam apaixonadamente e retiram-se evocando o feliz encontro. No segundo andamento produz-se o reencontro que os/as transforma em seres emocionais e subtis como uma simples violeta. Após uma introdução, desenvolvem-se umas quase variações do avesso, porque o tema só se apresenta no compasso final, como uma revelação, a neo-consciência. No fim, uma espécie de ‘pas de deux’, com entrada, 2 variações e coda, desabrocha a Arte, ou seja, o amor. Mas cada um deve criar, em cada interpretação/audição, a sua própria ‘estória’.

E para os que querem saber os ‘segredos de construção’ do compositor, deixo aqui algumas pistas:

O número de letras de cada título determina o número de secções de cada andamento, assim o 1º tem 8 secções, o 2º 3+11 e o 3º 4.

Para construir o 1º andamento utilizei dois complexos. Um está tirado do número de letras do título (Violetas=8 - p'ra=3 - 2) [8,3,2]. A utilização da contração “p´ra” é propositada para evitar que a soma dos intervalos de 8+4 (para) seja 12 meios-tons, uma oitava. Por esse motivo, também descartei o título em inglês porque 7+3+2 seria uma oitava e enfraqueceria a tensão harmónica. O segundo complexo é [9,7] (Rudesindo Soutelo) que é uma constante em quase todas as minhas obras. Os complexos utilizados em cada andamento são como um ADN que organiza e estrutura todos os parâmetros da música (forma, ritmo, harmonia, melodia, etc.). As 8 secções do 1º andamento têm 9+7 compassos e os compassos são de 8/8 e 3+2/8, quer dizer: 9(8/8)+7(3+2/8).

O 2º andamento construiu-se com os complexos retirados do nome completo [3,5,5,6] e data de nascimento, reduzida a 1 dígito por elemento, [4,2,4] de Ana Maria Couto Campos. Quando um complexo repete um número em posições consecutivas, tenho por norma substituir um deles por 1, ficando em [3,1,5,6]. Assim, cada secção tem 4+2+4 compassos de 3+1/4, 5/4 e 6/4, quer dizer: 4(3+1/4)+2(5/4)+4(6/4). As 3 primeiras secções funcionam como introdução. No 3º andamento utilizo os complexos extraídos de Ana Raquel Morais Alves. [3,6,6,5] transformado em [3,1,6,5] e [2,4,3]. As 4 secções têm 4 vezes 2(3+1/4)+4(6/4)+3(5/4).


A Sol Bordas
Yx-xoy-yc. Ponto de arroz menos um. (1974) [ca. 3']
    Piano
  Première: 20-V-1974. Auditório de Caixa Vigo, Vigo (Galiza). Int.: Sol Bordas.

ainda em obras ...
Catálogo por Instrumentos


Banda Sinfónica / Concert Band

A walk in the Cabo Fradera


Blue Minho


Minho azul


Um passeio no Cabo Fradera



Clarinete / Clarinet

A maravilhosa beleza das corrupções políticas


As the night is long


A vontade que desafiou Deus


Como a noite é longa


Diabólico


Era uma princesa que amou


Homage to Fernando Pessoa


Homage to Miguel Torga


Homenagem a Fernando Pessoa


Homenagem a Miguel Torga


Merda! Sou lúcido


Não é bastante não ser cego


Nasce um Deus. Outros morrem.


O anel de Giges


O corvo da liberdade


Prefiro rosas, meu amor, à pátria


Poder invisível


Reflexão ética


The crow of the freedom


The ring of Gyges


The will that challenged to God


Tudo vale a pena se a alma não é pequena



Contrabaixo / Double Bass

Arela



Fagote / Bassoon

23(23/8)8


A cavalo


Noitecer em Verona



Flauta / Flute

A maravilhosa beleza das corrupções políticas


As the night is long


A vontade que desafiou Deus


Como a noite é longa


Era uma princesa que amou


Homage to Fernando Pessoa


Homage to Miguel Torga


Homenagem a Fernando Pessoa


Homenagem a Miguel Torga


Merda! Sou lúcido


Não é bastante não ser cego


Nasce um Deus. Outros morrem.


O corvo da liberdade


Prefiro rosas, meu amor, à pátria


The crow of the freedom


The will that challenged to God


Tudo vale a pena se a alma não é pequena



Gaitas de fole / Bagpipes

Borobó


Manuel María


Guitarra / Guitar

A fome impinge à rendição


Assédio à fortaleza


Desistência do cerco


Deu-la-deu


Oferta de pães ao inimigo


Suite para guitarra


Suite for guitar


Triando


Triunfo incruento da estatégia



Oboé / Oboe

A maravilhosa beleza das corrupções políticas


As the night is long


A vontade que desafiou Deus


Como a noite é longa


Era uma princesa que amou


Homage to Fernando Pessoa


Homage to Miguel Torga


Homenagem a Fernando Pessoa


Homenagem a Miguel Torga


Merda! Sou lúcido


Não é bastante não ser cego


Nasce um Deus. Outros morrem.


O corvo da liberdade


Prefiro rosas, meu amor, à pátria


The crow of the freedom


The will that challenged to God


Tudo vale a pena se a alma não é pequena



Órgão / Organ

Examen rerum


Meditatio mortis


Natus in civitate tudensi, diocesis Braccharensis


Quod nihil scitur



Órquestra de Corda
/ String Orchestra

Ainda que vivim pouco, muito sonhei

Aquí me tés, querida, esperando a Godot


Homenagem a R. Carvalho Calero


Homage to R. Carvalho Calero


Mulher de doce sal e neve mole


Tálamo e túmulo


Thalamus and tumulus



Piano

Ab amico reconciliato cave (Acautela-te do amigo reconciliado)

A Catedral imergente

Alvorecer na janela

André

B.A.E.Q.V. [Bene aeternunque vale] (Passa-o bem e adeus para sempre)


Brêtema de Dom Quixote

Credo quia absurdum (Creio ainda que seja absurdo)

Easy pieces

Garrulus musicus (Músico linguareiro)

Gloria tibi, Marco (Glória a ti, Marco)


Helen

Homenagem a Thomas Mann


In musica corruptus imperat (Impera a corrupção na música)

Introitus

Magnus benefactor (Grande benfeitor)

Mansuetus criticus (Crítico amansado)

Marcha da formiga atónita

Oestrymnia

Oppius dei

Parasitus musicologus (Musicólogo parasita)

Peças breves em posição fixa

Peças fáceis

Ponto de arroz menos um

Porträt eines Mädchens im Gespräch


Prelúdio da manhã

Prelúdio da Montanha Mágica

Retrato duma moça na conversa

Serva me, servabo te (Serve-me e servir-te-ei)

Servum pecus (Rebanho servil)

Short pieces in five-finger pattern


Teima

Valsa dos soldadinhos de chumbo

Yx-xoy-yc


Quinteto de Metáis / Brass Quintet

Lábios de sabor a mar



Quinteto de Sopros / Wind Quintet

A vontade que desafiou Deus


Homage to Miguel Torga


Homenagem a MIguel Torga


O corvo da liberdade


The crow of the freedom


The will that challenged to God


Violino / Violin

23(23/8)8

Alva

Alvorejar

Apoteose

Clarobscuro

Feitiço

Leitura

Luminiscência

Natureza interior

Peças na 1ª posição

Pieces in the first position

Saraquel

Three pictures for 2 violins in the first position


Três quadros para 2 violinos na 1ª posição

Triando


Vagar


Violeta / Viola

Amazonas


Arela


Arte


Feitiço


Neo-consciência


Triando


Violetas P'ra 2


Violoncelo / Cello

Arela


Feitiço



Obras em processo de recuperação

Alocuções (3 Fg)

Conceito de Primavera (Orquestra de Câmara)

Concerto para 2 passarinhos de água e orquestra (Quadrado de Pi)

Diálogos (Fl-Ob-Va-Cb-Perc)

Música incompleta para um ou mais instrumentos

O Bardo na brêtema (2 instrumentos iguais)

Oração pela gente que assassinaram (Gemido e Gt)

Sequências (Piano)


Tuba mirum (Tuba preparada) (Quadrado de Pi)

Vigiemos (Vz-Harmónio/Og)


(Ainda em Obras)